Aqui já citei Caetano quando ele diz que “a música popular é a forma de expressão brasileira por excelência”.  Quando no exterior, nosso país é lembrado sim pela mulata, futebol, carnaval e caipirinha; mas também por sua musicalidade única.

Na história da música brasileira, podemos lembrar-nos de alguns momentos que nos consagraram mundo afora: Tom Jobim cantando com Frank Sinatra, João Gilberto no Carnegie Hall e Cristiano Ronaldo dançando “Ai Se Eu Te Pego” [sic].

Um desses grandes momentos aconteceu em 20 de julho 1979, quando Elis Regina fez a sua apresentação no tradicional Festival de Jazz de Montreux, na Suiça. Com os ingressos esgotados, Elis aceitou a excepcionalmente fazer um show extra no mesmo dia. O recém-lançado CD “Um Dia” traz pela primeira vez o registro em sua totalidade daquelas duas memoráveis apresentações.

Na primeira, realizada à tarde, Elis Regina brilha. Canta Gilberto Gil, Tom Jobim, Milton Nascimento e outros grandes nomes. No segundo show, à noite, a cantora mostra-se cansada, encurta o repertório, mas ainda é Elis.

Ao fim da segunda apresentação, o pianista e compositor Hermeto Paschoal – a época já consagrado no exterior – sobe ao palco para um dueto improvisado com Elis Regina: piano e voz. No duelo de estrelas, a cantora surpreende o bruxo que a desafiava a cada nota. Quando Hermeto começa a tocar “Garota de Ipanema” – música que Elis odiava e jurou jamais cantar -, a Pimentinha, esmurrando o piano, aceita a provocação e canta com todo o vigor. Como não era de deixar barato, canta a segunda parte da música em inglês e tom de deboche.

Exigente como era, Elis Regina voltou ao Brasil descontente com seu desempenho em Montreux e fez a Warner jurar que jamais lançaria aquela gravação. Para nossa sorte, a Warner não é de manter palavra… O CD duplo “Um Dia” é uma relíquia e que não consigo parar de ouvir!

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