Antes de falar e andar eu já era louco por Natal. Adorava o Papai Noel e meu aniversário de um ano não podia ter outro tema. O salão de festas do prédio onde minha avó morava foi todo enfeitado com a ajuda das minhas tias: balões com barba representando o bom velhinho, guirlandas de pirulito e gorros vermelhos para os convidados.

Mais tarde, um pouco mais crescido, lembro do meu pai me levando para ver o presépio vivo que era encenado nos jardins do palácio Cruz e Souza, no centro de Florianópolis. Fiquei fascinado – e com um pouco de medo do homem que cuspia fogo – e comecei a entender do que aquilo tudo se tratava.

Completando 10 anos de idade, minha avó disse para eu escolher o que queria de presente de aniversário. Ela achou estranho, mas acabou me dando o presépio de cerâmica que eu enfeitei com barba-de-velho ao pé da árvore de Natal naquele ano.

Lembro de uma ceia onde toquei para a toda família as músicas natalinas que eu vinha ensaiando há semanas no teclado e que tinha remixado em ritmos diferentes: “Noite Feliz” em reggae, “Jingle Bells” em lambada, “Ave Maria” em rock. Um horror!

Lá pelos meus 12 anos, uma chuva forte derrubou as luzinhas de Natal que estavam na sacada e eu, que as tinha arrumado tão direitinho, não admiti aquilo. Ainda com um pouco de chuva, descalço no piso molhado, fui ajeitar as luzes que permaneciam ligadas. Levei um choque tão grande que só não morri porque minha mãe foi rápida.  Mas tudo pelo brilho do Natal.

Foi o Papai Noel que trouxe a mim e a meus primos as nossas primeiras bicicletas. Foi no Natal que provei uvas-passas – as preferidas do meu avô. É no Natal que como o arroz à grega da minha tia e a mousse de chocolate da minha mãe (sério, divinos!).

Com o tempo e com o desenrolar da vida, o 24 de dezembro foi perdendo a magia. Já não me importava com os enfeites da árvore e as luzes da Beiramar não despertavam mais nada em mim. Esse Natal em especial vai ser um pouco triste. A ordem natural das coisas começa a acontecer e cabe a gente somente aceitar.

Porém, na última quinta, voltei a ser criança ao assistir a Parada dos Sonhos na Praça XV. Tirei mais de 50 fotos e em alguns momentos segurei o choro. Foi ali, no mesmo lugar que minha mãe me levava pequeno para ver a decoração de Natal, que comecei a resgatar todas as grandes alegrias que sempre fizeram deste o meu feriado favorito:  meu aniversário de um ano, as uvas-passas do meu avô, o mousse da minha mãe, a minha primeira bicicleta, o choque natalino, o meu recital exótico, os presépios vivo e de cerâmica, e muitas outras lembranças felizes.

Hoje, escolho por ter um Natal feliz! Meus pensamentos vão estar nas pessoas que eu quero bem, estando elas perto ou longe. Acho que Natal é tempo de agradecer, e eu sou muito muito grato pela família forte que tenho ao meu redor. Para aqueles com quem não vou ceiar à noite, saibam que o meu amor está em vocês, sabendo o que de vocês está em mim.

Um Feliz Natal pra todo mundo! 😉

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