Moro num país tropical e sou tupiniquim. Amo a cachaça, amo o Rio, amo Caetano, amo carnaval e amo o samba. Uma vez ouvi que “ao som do samba dança até o arvoredo”. Ainda não conseguiram me provar o contrário.

Sábado à noite, noite de verão, fui ao meu samba favorito na Província. O lugar fica na Barra da Lagoa, praia de pescadores e de cenário pitoresco que é uma atração a parte. Se estiver com sorte irá ver jogarem a rede de pesca do cais e recolherem cheia de peixes e lulas.

Para chegar ao samba, só a pé! Atravesse a ponte que corta o canal (mas não sem apreciar a vista), vire a esquerda e passe pela pequena vila de muros pintados formada por albergues e brechós. Não se acanhe em agradar com carinho os vira-latas que vai encontrar pelo caminho. Mais uns minutos de caminhada e logo o batuque já consegue ser ouvido.

Ao chegar a primeira coisa que chama a atenção é o visual. Em uma praia pequena e deserta – carinhosamente apelidada de Prainha – fica o restaurante e bar Vigia do Casqueiro.

 

A casa de tijolos enfeitada com luzes verdes é a única construção da praia. É lá, na laje do bar, que a festa acontece. Tudo se encaixa em um cenário perfeito para um samba.

Cavaquinho, violão, pandeiro, surdo, tantã,  reco-reco, flauta, chocalho, atabaque: a banda Côro de Gato é completa e não deixa a desejar. Com uma caipirinha na mão, veja nativos e estrangeiros se misturarem ao som de Cartola, Pixinguinha, Osvaldo Cruz, João Nogueira e todos os mestres.

 

O lugar é para todos. De jovens a senhores, de alemães a mestiços e de solteiros a casados. Entre no clima e se deixe levar. Se cansar do ambiente lotado e quiser se refrescar, desça até a praia (de onde é possível ouvir o som) e imprima na areia a marca do seu samba.

 

Somos sortudos de morar em um país com uma cultura tão vasta e em uma cidade linda que oferece aos boêmios um lugar como esse.

 

 

As 3 da manhã a música para e é hora de voltar pra casa. Com a roupa molhada de suor e a alma lavada volto pensando: “De louco Policarpo Quaresma não tinha nada! Viva o Brasil!”

 

Batuque é um privilégio. Ninguém aprende samba no colégio. Sambar é chorar de alegria, é sorrir de nostalgia dentro da melodia.”

Noel Rosa

 

 

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