quando as linhas se tornam seus próprios demiurgos, quando assisto, qual um milagroso ato inconsciente, ao nascimento no papel de frases que escapam à minha vontade e que, inscrevendo-se na folha apesar de mim, ensinam-me o que eu não sabia nem acreditava saber, gozo desse parto sem dor, dessa evidência não concertada que consiste em seguir sem esforço nem certeza, com a felicidade dos espantos sinceros, uma pluma que me guia e me transporta. então, tenho acesso, na plena evidência e textura de mim mesmo, a um esquecimento de mim que confina com o êxtase, e sinto a bem aventurada quietude de uma consciência espectadora.”

Muriel Barberry

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